sábado, 23 de maio de 2009

Carmem Miranda - 100 anos



Carmem Miranda - 100 anosCarmen Miranda (Maria do Carmo Miranda da Cunha), nasceu em Marco de Canaveses, distrito de Porto, Portugal, em 9 de fevereiro de 1909 e faleceu em Beverly Hills, Estados Unidos da América, em 5 de agosto de 1955 - cantora e atriz luso-brasileira.
Sua carreira artística aconteceu no Brasil e Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1950. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão. Chegou a receber o maior salário até então pago a uma mulher nos Estados Unidos. Seu estilo fez com que seja considerada precursora do tropicalismo, movimento cultural brasileiro surgido no final da década de 1960.
Carmem Miranda era a segunda filha do barbeiro José Maria Pinto Cunha (1887-1938) e de Maria Emília Miranda (1886-1971). Ganhou o apelido de Carmen no Brasil, graças ao gosto que seu pai tinha por óperas.
Pouco depois de seu nascimento, seu pai emigrou para o Brasil, onde se instalou no Rio de Janeiro. Em 1910, sua mãe, Maria Emília seguiu o marido, acompanhada da filha mais velha, Olinda, e de Carmen, que tinha menos de um ano de idade. Carmen nunca voltou à sua terra natal, o que não impediu que a câmara do conselho de Marco de Canaveses desse seu nome ao museu municipal.
No Rio de Janeiro, seu pai abriu um salão de barbeiro na rua da Misericórdia, 70. A família estabeleceu-se no sobrado acima do salão. Mais tarde mudaram-se para a rua Joaquim Silva, 53, na Lapa. No Brasil, nasceram os outros quatro filhos do casal: Amaro (1911), Cecília (1913), Aurora (1915) e Oscar (1916).
Carmen estudou na escola de freiras Santa Teresa, na rua da Lapa. Teve o seu primeiro emprego aos 14 anos numa loja de gravatas, e depois numa chapelaria. Nesta época, sua família deixou a Lapa e passou a residir num sobrado na Travessa do Comércio. Para complementar a renda familiar, sua mãe passou a administrar uma pensão doméstica que servia refeições para empregados de comércio.
Em 1926, Carmen, que tentava ser artista, apareceu incógnita em uma fotografia na seção de cinema do jornalista Pedro Lima da revista Selecta. Em 1929, foi apresentada ao compositor Josué de Barros, que encantado com seu talento passou a promovê-la em editoras e teatros. No mesmo ano, gravou na editora alemã Brunswick, os primeiros discos com o samba 'Não Vá Sim'bora' e o choro 'Se O Samba é Moda'. Pela gravadora Victor, gravou 'Triste Jandaia' e 'Dona Balbina'.
O grande sucesso veio a partir de 1930, quando gravou a marcha "Pra Você Gostar de Mim" ("Taí") de Joubert de Carvalho. Antes do fim do ano, já era apontada pelo jornal O País como "a maior cantora brasileira". Em 1933 ajudou a lançar a irmã Aurora na carreira artística. No mesmo ano, assinou um contrato de dois anos com a rádio Mayrink Veiga para ganhar dois contos de réis por mês. Foi a primeira cantora de rádio a merecer contrato, quando a praxe era o cachê por participação. Logo recebeu o apelido de "Cantora do It". Em 30 de outubro realizou sua primeira turnê internacional, apresentando-se em Buenos Aires. Voltou à Argentina no ano seguinte para uma temporada de um mês na Rádio Belgrano.
Em 20 de janeiro de 1936, estreou o filme 'Alô, Alô Carnaval' com a famosa cena em que ela e Aurora Miranda cantam "Cantoras do Rádio". No mesmo ano, as duas irmãs passaram a integrar o elenco do Cassino da Urca de propriedade de Joaquim Rolla. A partir de então as duas irmãs se dividiam entre o palco do cassino e excursões freqüentes pelo Brasil e Argentina.
Depois de uma apresentação para o astro de Hollywood Tyrone Power, em 1938, cogitou-se a possibilidade de uma carreira nos Estados Unidos. Carmen recebia um excelente salário de 30 contos de réis mensais no Cassino da Urca e não se interessou pela idéia.
Em 1939, o empresário americano Lee Shubert e a atriz Sonja Henie assistiram ao espetáculo de Carmen no Cassino da Urca. Depois de um espetáculo no transatlântico Normandie, Carmen assinou contrato com o empresário. A execução do contrato não foi imediata, pois a cantora fazia questão de levar o grupo musical Bando da Lua para acompanhá-la, mas o empresário estava apenas interessado em Carmen. Depois de voltar para os Estados Unidos, Shubert aceitou a vinda do Bando da Lua. Carmen partiu no navio Uruguai em 4 de maio de 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Vinte e cinco dias depois Carmen estreou no espetáculo musical "Streets of Paris", em Boston, com êxito estrondoso de público e crítica. As suas participações teatrais tornaram-se cada vez mais famosas. Em 5 de março de 1940, fez uma apresentação perante o presidente Franklin Roosevelt durante um banquete na Casa Branca.
Em 10 de julho de 1940 retornou ao Brasil, onde foi acolhida com enorme ovação pelo povo carioca. No entanto, em uma apresentação no Cassino da Urca com a presença de políticos importantes do Estado Novo, foi rejeitada pelos que a consideravam "americanizada". Dois meses depois, no mesmo palco, Carmen foi aplaudida entusiasticamente. No mesmo mês gravou seus últimos discos no Brasil, onde respondeu com humor às acusações de ter esquecido o Brasil e ter se "americanizado". Em 3 de outubro, voltou aos Estados Unidos e gravou a marca de seus sapatos e mãos na Calçada da Fama do Teatro Chinês de Los Angeles.
Entre 1942 e 1953 atuou em 13 filmes em Hollywood e nos mais importantes programas de rádio, televisão, casas noturnas, cassinos e teatros norte-americanos.
Em 1946, Carmen era a artista mais bem paga de Hollywood e a mulher que mais pagava imposto de renda nos EUA. Em 17 de março de 1947 casou-se com o americano David Sebastian, de Detroit. Antes, Carmen mantivera romances com vários astros de Hollywood e também com o músico brasileiro Aloysio de Oliveira, integrante do Bando da Lua. Antes de partir para a América, Carmen namorou o jovem Mário Cunha e o bon vivant Carlos da Rocha Faria, filho de uma tradicional família do Rio de Janeiro. Já nos EUA, Carmen teve casos com os atores John Wayne e Dana Andrews.
O casamento é apontado por todos os biógrafos e estudiosos de Carmen Miranda como o começo de sua decadência física. Seu marido, antes um simples empregado de produtora de cinema, tornou-se empresário de Carmen Miranda e conduzia mal seus negócios e contratos. Também era alcoólatra e teria estimulado Carmen Miranda a consumir bebidas alcoólicas, das quais ela logo se tornaria dependente. O casamento entrou em crise já nos primeiros meses, mas Carmen Miranda não aceitava o divórcio, pois era uma católica convicta.
Desde o início de sua carreira americana, Carmen fez uso de barbitúricos para poder dar conta de uma agenda cansativa. Tornou-se dependente de vários remédios, tanto estimulantes quanto calmantes. Por ser também usuária de tabaco e álcool, o efeito das drogas foi potencializado.
Em 3 de dezembro de 1954, Carmen retornou ao Brasil após uma ausência de 14 anos. Seu médico brasileiro constatou a dependência química e tentou desintoxicá-la. Ficou quatro meses internada em tratamento numa suíte do hotel Copacabana Palace. Carmen melhorou, embora não tenha abandonado completamente drogas, álcool e cigarro. Os exames realizados no Brasil não constataram alterações de freqüência cardíaca.
Ligeiramente recuperada, retornou para os Estados Unidos em 4 de abril de 1955. Imediatamente começou com as apresentações. Fez uma turnê por Cuba e Las Vegas entre os meses de maio e agosto e voltou a usar barbitúricos.
No início de agosto, Carmen gravou uma participação especial no programa televisivo do comediante Jimmy Durante. No decorrer de um número de dança, sofreu um ligeiro desmaio, desequilibrou-se e foi amparada por Jimmy. Recuperou-se e terminou o número. Na mesma noite, recebeu amigos em sua residência em Beverly Hills. Por volta das duas da manhã, após beber e cantar algumas canções para os amigos presentes, Carmen subiu para seu quarto para dormir. Acendeu um cigarro, retirou a maquiagem e caminhou em direção à cama. Um colapso cardíaco fulminante derrubou-a morta sobre o chão. Seu corpo foi encontrado pela empregada na mesma noite. Tinha 46 anos.
Aurora Miranda, sua irmã, recebeu na mesma madrugada um telefonema do marido de Carmen Miranda avisando sobre o falecimento. Aurora Miranda passou então a notícia para as emissoras de rádio e jornais. Heron Domingues, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foi o primeiro a noticiar a morte de Carmen Miranda em edição extraordinária do Repórter Esso.
Em 12 de agosto de 1955, seu corpo embalsamado desembarcou de um avião no Rio de Janeiro. Sessenta mil pessoas compareceram ao seu velório realizado no saguão da Câmara Municipal da então capital federal. O cortejo fúnebre até o Cemitério São João Batista foi acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas que cantavam esporadicamente, em surdina, "Taí", um de seus maiores sucessos.
No ano seguinte, o prefeito do Rio de Janeiro Francisco Negrão de Lima assinou um decreto criando o Museu Carmen Miranda, o qual somente foi inaugurado em 1976 no Aterro do Flamengo.

FilmografiaA Voz do Carnaval (1933) ; Alô, Alô, Brasil (1935); Estudantes (1935); Alô, Alô, Carnaval (1936); Bananas da Terra (1939); Laranja da China (1940); Serenata Tropical (1940); That Night in Rio (1941); Week-End in Havana (1941); Springtime in the Rockies (1942); The Gang's All Here (1943); Four Jills in a Jeep (1944); Greenwich Village (1944); Something for the Boys (1944); Doll Face (1945); Se eu Fosse Feliz (1946); Copacabana (1947); O Príncipe Encantado (1948); Romance Carioca (1950); Scared Stiff (1953)

Canções mais famosasAs Cinco Estações do Ano (gravada com Lamartine Babo, Mário Reis, Almirante e Grupo do Canhoto em 6 de julho de 1933); Adeus, Batucada (gravada com Orquestra Odeon em 24 de setembro de 1935); Alô... Alô?(gravada com Mário Reis e Grupo do Canhoto em 18 de dezembro de 1933); Ao Voltar do Samba (Arlequim de Bronze) (gravado com o Grupo do Canhoto em 26 de março de 1934); Boneca de Piche (gravada com Almirante e Orquestra Odeon em 31 de agosto de 1938); Cachorro Vira-Lata (gravada com Regional de Benedito Lacerda em 4 de maio de 1937); Cai, Cai (gravada com Bando da Lua em 5 de janeiro de 1941); Camisa Listrada (gravada com Grupo da Odeon em 20 de setembro de 1937); Cantores do Rádio (gravada com Aurora Miranda e Orquestra Odeon em 18 de março de 1936); Chattanooga Choo Choo (gravada com Bando da Lua e Garoto em 25 de julho de 1942); Chegou a Hora da Fogueira (gravada com Mário Reis e Diabos do Céu em 5 de junho de 1933); Chica-Chica-Bum-Chic (gravada com Bando da Lua em 5 de janeiro de 1941); Como "Vaes" Você? (gravada com Ary Barroso e Regional de Pixinguinha e Luperce Miranda em 2 de outubro de 1936); Cuanto Le Gusta (gravada com Irmãs Andrews e Orquestra de Vic Schoen em 29 de novembro de 1947); Disseram Que Voltei Americanizada (gravada com Conjunto Odeon em 2 de setembro de 1940); E Bateu-Se a Chapa (gravada com Regional de Benedito Lacerda em 26 de junho de 1935); E o Mundo Não Se Acabou (gravada com Regional Odeon em 9 de março de 1938); Eu Dei (gravada com Regional Odeon em 21 de setembro de 1937); Eu Também (gravada com Lamartine Babo e Diabos do Céu, em 5 de janeiro de 1934); Goodbye, Boy (gravada com Orquestra Victor Brasileira em 29 de novembro de 1932); I Like You Very Much (Ai, Ai, Ai) (gravada com Bando da Lua em 5 de janeiro de 1941); I Make My Money With Bananas Isto é lá com Santo Antônio (gravada com Mário Reis e Diabos do Céu em 14 de maio de 1934); Me Dá, Me Dá (gravada com Regional de Benedito Lacerda em 4 de maio de 1937); Minha Embaixada Chegou (gravada com Grupo do Canhoto em 28 de setembro de 1934); Moleque Indigesto (gravada com Lamartine Babo e Grupo Velha Guarda em 5 de janeiro de 1933); Na Baixa do Sapateiro (Bahia) (gravada com Orquestra Odeon em 17 de outubro de 1938); Na Batucada da Vida (gravada com Diabos do Céu em 20 de março de 1934); No Tabuleiro da Baiana (gravada com Luís Barbosa e Regional de Luperce Miranda em 29 de setembro de 1936); O Que É Que a Baiana Tem? (gravada com Dorival Caymmi e Conjunto Regional em 27 de fevereiro de 1939); O Tique-Taque do Meu Coração (gravada com Regional de Benedito Lacerda em 7 de agosto de 1935); Primavera no Rio (gravada com Diabos do Céu em 20 de agosto de 1934); Querido Adão (gravada com Orquestra Odeon em 26 de setembro de 1935); Rebola, Bola (gravada com o Bando da Lua em 9 de outubro de 1941); Recenseamento (gravada com Conjunto Odeon em 27 de setembro de 1940); Samba Rasgado (gravada com Grupo Odeon em 7 de março de 1938); Sonho de Papel (gravada com Orquestra Odeon em 10 de maio de 1935); South American Way (gravada com Bando da Lua e Garoto em 26 de dezembro de 1939); Taí (Pra Você Gostar de Mim) (gravada com Orquestra Victor em 27 de janeiro de 1930); Uva de Caminhão (gravada com Conjunto Odeon em 21 de março de 1939); Voltei pro Morro (gravado com Conjunto Odeon em 2 de setembro de 1940).
Carmen Miranda 100 anos:
gravações inéditas homenageiam a pequena notável
Em homenagem ao centenário de Carmen Miranda, comemorado em 9 de fevereiro, a Sony Music lançou o álbum "Carmen Miranda 100 anos: Duetos e outras Carmens" uma antologia com destaque para as inéditas Camisa listrada, na voz de Elza Soares e o medley Tico-tico no fubá, Ela diz que tem e Mamãe eu quero, com Maria Alcina e o DJ Zé Pedro. O CD duplo (cada um com 14 faixas) traz duetos de Carmen com seus parceiros mais recorrentes como Lamartine Babo, Mario Reis e Silvio Caldas e releituras de outros artistas de gerações seguintes que tiveram sua arte e suas carreiras influenciadas por ela como Caetano Veloso, Rita Lee e Adriana Calcanhoto. Destaque também para as parcerias musicais entre Daniela Mercury e João Bosco, Maria Bethânia e Chico Buarque e Olivia Byington & João Carlos.

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